quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Sino Tibetano - Conto






Acordou as 03h00minh da matina. Foi ao banheiro para despejar o líquido preso da bexiga com a cara sonolenta. Depois foi a cozinha para hidratar novamente com um belo copo cheio d' água. Enfim voltou para o quarto e deitou-se.  A janela estava aberta e ventava. Lá fora, no quintal, havia um varal e num dos suportes havia um sino tibetano pendurado. O resultado era um som gracioso conforme o vento movimentava os tubinhos de metal de um lado para o outro. Uma melodia digna de canção de ninar!

Sonho número I: 
 Ele está sentado numa mesa de bar e bebe cerveja gelada com alguns amigos. Um homem mal vestido e de barba por fazer chega próximo à mesa e pede algum trocado... Mas é logo puxado pelos seguranças e a mesa toda volta a beber e a conversar sem dar importância ao fato.

O som do sino tibetano ainda está agradável e, apesar das nuvens negras indicarem as chuvas próximas, ele continua dormindo e sonhando...           

 Sonho número II: 
Abraçado com sua namorada junto ao portão de entrada da casa da garota. Beijos vigorosos. O esfregar dos tecidos. Ela usa saia e ele  jeans. A força dos movimentos e os abraços sem direção... Respiração ofegante. Bocas furiosas e olhos fechados para não ver além dos sentidos.           

Agora o vento está mais forte e o som do sino tibetano aumenta de intensidade. O barulho fica estridente e não é mais delicado aos ouvidos noturnos.

Sonho número III:
Ele corre do bandido. Não consegue lembrar-se de como tudo começou e nem porque está correndo tanto. Mas sabe que não pode parar, pois o bandido está em seu encalço. A respiração está cada vez mais difícil... E o bandido cada vez mais perto e ele ouve os passos e o coração está batendo mais forte mais forte mais forte...

Acorda assustado então. Vai ao banheiro para despejar o líquido preso da bexiga com a cara sonolenta e o coração agitado. Depois vai a cozinha para hidratar novamente com um belo copo cheio d' água com açúcar. Enfim volta para o quarto e deita-se. O som do sino tibetano não é mais agradável e as nuvens negras indicam chuvas próximas. O sono vai-se. Ele tenta em vão dormir novamente. São 05h00min. Daqui a pouco ele vai ter levantar-se para mais um dia de trabalho. A chuva chega com tempestade. Barulho de trovões atravessa as paredes do quarto e cobrem todo espaço. Ele não consegue fechar os olhos e relaxar. Mas a canseira vence trovão... 

Sonho número IV:
Ele levanta para mais um dia de trabalho. Vai ao banheiro. Vai à cozinha. Vai ao quintal. Vê o sino tibetano balançando lentamente sem fazer o mínimo barulho. O sol desponta por trás da serra. Os pássaros fazem arruaça para receber o novo dia. Então ele lembra que é domingo e não segunda feira e volta a dormir...   

A chuva e a tempestade cessaram. Ele acordou com o despertar do celular. Olhou as horas e viu que estava atrasado novamente. O chefe com certeza ia lhe dar outro sermão. Na correria para não chegar ainda mais atrasado ficou sem degustar o café da manhã. E quando do isso acontecia ele tinha fortes dores de estômago... 

                         


Um comentário:

  1. Amigo Keijo:
    Grande satisfação saber que vc está outra vez criando essas coisas bacanas que sempre criou, desta vez numa apresentação à altura do seu texto. Gostei bastante da variedade dos poemas e contos, do uso seguro que vc faz da imaginação. O conto dos sonhos (Sino Tibetano) foi o de que mais gostei, mas o material todo é de qualidade, amigo. Desejo sorte e sucesso com o seu blog. Daqui, vão meus parabéns e um grande abraço do amigo Edmar.

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