quarta-feira, 25 de abril de 2012

Frangueiro - Crônica



Vida de goleiro não é fácil. Ainda mais neste País chamado Brasil, onde as discrepâncias reinam em todos os segmentos. Todos os lugares possíveis e imaginários. É o País das diferenças e dos diferentes. Daqueles que tudo podem e daqueles que “quase” tudo podem e também daqueles que nada podem... É Brasil.
Não se sabe ao certo quando apareceu o termo “tomar um frango” ou “levar um frango”. Apenas se sabe que a frase, diga-se genial, advém do fato de o galináceo em questão passar com certa facilidade por entre as pernas daquele que, já agachado, quase de cócoras, esteja querendo agarrá-lo. Eis o fato. É a história que se conta por aí...
Pois veja só. Inúmeras vezes estes solitários heróis (... ou bandidos?) ficam à mercê de um lance destes numa partida de futebol. E, óbvio, quando “o frango passa” por entre as pernas do atleta... Bem, nem preciso dizer o coro que se forma nas arquibancadas. Frangueiro, frangueiro, frangueiro... Triste sina essa!
Fico imaginando as mães dos “meninos” goleiros guerreiros. Oh! Quanta desventura! O filhinho querido tendo que ouvir aquele coro e, muitas vezes, seguido de palavrões que não vou ousar citar nestas breves linhas.
Não bastasse a tormenta da partida em si, depois de um “frangão”, o boleiro ainda tem pela frente o “Batalhão de Fuzilamento da Imprensa”. Sim, senhoras e senhores! Ela vem. Chega, faz e acontece. Vem de Câmeras; de Luzes; de Repórteres; de Críticos e “tal e cousa e lousa e maripousa...”.
Diante da Imprensa, olhando para as Câmeras, nossos “bandidos”, cabisbaixos, tentam dizer, ou explicar, como aconteceu o fato tão desastroso de sua carreira. Tentam e, geralmente, nunca conseguem. Sempre fica algo vago no ar... Uma cisma. Um esquecimento que soa meio que desatento no momento da entrevista. É uma situação deveras incomoda e requer malícia, porém, os mais novos, coitados, estes não tem chance alguma... São “crucificados” em público, literalmente.
Outra dura estatística fica por conta da história do atleta. Contada nas ruas pelo povo. Pelos críticos de plantão. Pelas conversas de boteco regadas a muita cerveja gelada, cachaça e porções de batata frita... (uma pausa para minha “água na boca”).
O distinto atleta será sempre lembrado por aquele momento único de sua vida. Seu primeiro brinquedo ficará esquecido na memória. Suas figurinhas. Seus heróis da TV. Seu primeiro beijo quiçá. A primeira namorada... Nada disso. O “frango” é poderoso. Não há limites para a lembrança que alcance o “frango” em toda sua plenitude.
Mesmo em sua velhice! Este cidadão outrora gozava de físico privilegiado. Alguns tinham cabelos longos. Outros tinham o famoso “rostinho de anjo”. E ainda outros poderiam até, com o devido treinamento, serem artistas de TV, tamanha beleza e simpatia que gozavam junto ao público feminino... Mais mesmo assim, com todos esses atributos... seriam “frangueiros”...
Bem, como tudo nesse mundo é perfeitamente efêmero, o que é, diga-se, algo a ser louvável por todos nós, posto que a perpetuidade não seja motivo de jubilo, e sim de saudosismo, muitas vezes até demagogo, melhor acreditar que, um dia, depois de muito tempo, aquele “frango” vai perecer, junto com seus protagonistas. E nem os arquivos mais modernos hão de guardar aquele momento mágico, numa tarde qualquer, de um belo domingo, em que, jogando pelas finais de um Campeonato, nosso tão querido goleiro “pegou um frango”.        



5 comentários:

  1. que maravilha, keijo!!!!! uma alegria esse conto frangueiro... e a leitura com você é ainda mais viva! pensar e criar com as pequenas coisas da vida, populares é do mais apreciável refinamento artístico!!!! agradeço a possibilidade de desfrutar desse prazer que é a leitura de suas palavras... abraço carinhoso da sua amiga e companheira de labutas... rs!!!

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  3. Má querida! Compartilhar o que eu escrevo, com voçê, é como recitar poesias ao mestre Camões...quiçá Drummont...Quem sabe! É deixar que a vida flua pelos dedos da mão...É morrer. É sentir-se útil, ao menos uma vez, nesse Universo chamado imaginação! Meu carinho é inimaginável! Creia.

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  4. nossa, amigo, fiquei emocionada agora...!!!! agradeço e compartilho com você essa relação tão intensa da vida com a escrita, fluindo e se potencializando uma a outra e a nós...!!!! te adoro! valeu!!!! abração
    marcelly

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  5. Eu é que sou grato. Sou seu fã! E, sobretudo, sou priviligiado por ter alguém como você para ler essas "loucuras" que escrevo em descompasso com a minha própria vida...São minhas hitórias de paixão; de amor; de carinho e, principalmente, são histórias que fazem parte da minha vida e que, pelo sim e pelo não, estão agora disponíveis para quem quiser ver e discutir...É minha carne sangrando, literalmente, na internet da vida!

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