quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Cafetina - Conto


A garota devia ter tenros dezoito anos de idade, não mais que isso. A pele clara. Os cabelos negros. Uma pinta na coxa esquerda, logo acima do joelho, em forma de amora. Os lábios generosos. Altura mediana e devia pesar uns 62 quilos, aproximadamente. A patroa, como era chamada, chegou no horário combinado, gostava de pontualidade britânica. Na sala de estar um carpete. O piso de madeira brilhante. As paredes na cor rosa claro. Já o teto ostentava um branco em tom de neve. As poltronas espaçosas com almofadas aconchegantes eram um convite ao relaxar-se. “As banhistas”, de “Renoir”, enfeitavam as paredes e, ao mesmo tempo, proporcionavam um clima de antiguidade mesmo com aquela placa indicativa de que ali havia rede para uso da Internet Wi-fi. A moça ficou meio sem graça a princípio,mas depois de alguns minutos de conversa já estava mais à vontade e falava sobre sua vida com tranqüilidade, explicando que o pai fora baleado numa Boate dessas freqüentadas por todos os tipo de pessoas, de beira de estrada. A mãe cuidara dela até os cinco anos e depois de conhecer outro homem por qual se apaixonara, a deixou com a avó materna que cuidou dela até há pouco tempo atrás, quando falecera vítima de um infarto fulminante. Disse-lhe que sua experiência sexual era meio que recente. Que, para ganhar a vida, trabalhou em uma lanchonete, e que nessa lanchonete se encantara com o cozinheiro, um homem bem mais velho, casado e que,naquele momento, vivia uma crise conjugal. Foi com ele que deixara de ser virgem. Mas que aprendera muito mesmo com um jovem rapaz entregador de pizzas.  Disse que o jovem era agitado e falava muito. Que gostava de música e de filmes. Fumava e bebia regularmente. E que era aficionado por filmes pornográficos. Relatou assim algumas passagens sobre o sexo que fazia com o rapaz entregador de pizzas, enquanto a patroa apenas ouvia a conversa e com os olhos acompanhava os gestos da garota buscando interpretar se toda aquela conversa era verídica ou não. A patroa levantou-se e chamou a garota. Caminharam por um corredor longo cujos pisos eram de madeira brilhante e carpete, nas paredes, quadros com imagens de mulheres nuas. Havia várias portas e o silêncio imperava. Chegando a frente à porta de número 27, parou, abriu-a, e mostrou o quarto em que a garota passaria a usar, mas antes de ir-se recomendou discrição máxima e pediu empenho total para que todos os clientes que lá fossem pudessem sair de lá satisfeitos. A garota sorriu.

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