Eu
ainda ouço a mesma música diversas vezes;
Ainda
durmo apreensivo com a escuridão do quarto...
Eu
ainda tenho sonhos de menino e caio da cama...
Ainda
tenho aquele bilhete em que você diz “adeus”...
Eu
ainda gosto de sorvete aos domingos à tarde!
Ainda
jogo futebol com os amigos, despretensiosamente...
Eu
ainda saio e vou a bares para um bom bate-papo!
Ainda
paquero garotas que, como você, são inatingíveis!
Eu
ainda penduro no varal a minha toalha molhada...
Ainda
como sanduíches engordurados aos domingos à noite!
Eu
ainda bebo até cair quando estou enjoado de tudo...
Ainda
enfrento o novo dia mesmo com as dores de cabeça...
Eu
ainda sinto que sou muito jovem para morrer...
Ainda
vejo-me muito velho para começar novos projetos!
Eu
ainda sou o mesmo homem, o mesmo menino...
Ainda
não aprendi a conviver com a inveja, com o ódio!
Eu
ainda leio bons livros sobre histórias irreais;
Ainda
me deleito com as poesias com interesse duvidoso.
Eu
ainda vivo intensamente o meu reinado...
Ainda
sou o súdito de meus prazeres mais mortais!
Eu
ainda tenho fotos guardadas na caixa de sapatos!
Ainda
perco horas olhando-as para tentar entender!...
Eu
ainda faço sexo comigo mesmo no banheiro...
Ainda
penso em você nesse breve momento de prazer...
Eu
ainda tomo remédios para dores de cabeça...
Ainda
me sirvo de uma bula para entender o meu corpo;
Eu
ainda posso viver mais ou menos bem nesse mundo...
Ainda
tenho toda uma vida para aprender, quem sabe, a viver!

super keijinho
ResponderExcluiressa poesia tá demais!...
fala das simplicidades com intensa profundidade! parabéns por essas palavras deliciosamente poéticas!
só um detalhe... talvez as mulheres atingíveis sejam mais interessantes!!!rs!!! abração marcelly