sexta-feira, 30 de março de 2012

Aprendiz - Poesia


Eu ainda ouço a mesma música diversas vezes;
Ainda durmo apreensivo com a escuridão do quarto...
Eu ainda tenho sonhos de menino e caio da cama...
Ainda tenho aquele bilhete em que você diz “adeus”...

Eu ainda gosto de sorvete aos domingos à tarde!
Ainda jogo futebol com os amigos, despretensiosamente...
Eu ainda saio e vou a bares para um bom bate-papo!
Ainda paquero garotas que, como você, são inatingíveis!

Eu ainda penduro no varal a minha toalha molhada...
Ainda como sanduíches engordurados aos domingos à noite!
Eu ainda bebo até cair quando estou enjoado de tudo...
Ainda enfrento o novo dia mesmo com as dores de cabeça...

Eu ainda sinto que sou muito jovem para morrer...
Ainda vejo-me muito velho para começar novos projetos!
Eu ainda sou o mesmo homem, o mesmo menino...
Ainda não aprendi a conviver com a inveja, com o ódio!

Eu ainda leio bons livros sobre histórias irreais;
Ainda me deleito com as poesias com interesse duvidoso.
Eu ainda vivo intensamente o meu reinado...
Ainda sou o súdito de meus prazeres mais mortais!

Eu ainda tenho fotos guardadas na caixa de sapatos!
Ainda perco horas olhando-as para tentar entender!...
Eu ainda faço sexo comigo mesmo no banheiro...
Ainda penso em você nesse breve momento de prazer...

Eu ainda tomo remédios para dores de cabeça...
Ainda me sirvo de uma bula para entender o meu corpo;
Eu ainda posso viver mais ou menos bem nesse mundo...
Ainda tenho toda uma vida para aprender, quem sabe, a viver!




Um comentário:

  1. super keijinho

    essa poesia tá demais!...
    fala das simplicidades com intensa profundidade! parabéns por essas palavras deliciosamente poéticas!

    só um detalhe... talvez as mulheres atingíveis sejam mais interessantes!!!rs!!! abração marcelly

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