quinta-feira, 1 de março de 2012

Jardins - Crônica


Adoro Jardins. Desde que me conheço por gente, tem Jardim na frente da minha casa. Minha mãe é quem cuida. E cuida muito bem, diga-se de passagem. Não sei de onde veio o seu gosto pela jardinagem, mas imagino que tenha a ver com o cuidar das hortas na época em que ela morava no Sítio.  Aquela sensação gostosa de mexer com a terra; de afofá-la; de misturar com esterco... Enfim, coisas que aprendeu com o lidar da terra.  Eu até me arrisco, mas confesso que perto da mãe jardineira eu sou “piada de mau gosto”... Muito ruim mesmo. E tenho notado que, infelizmente, hoje em dia, as pessoas não têm dado tanto valor aos Jardins. É comum ver casas sendo projetadas sem jardim. Com aqueles enormes portões de ferro e chapa de aço; muros altos; cercas elétricas que percorrem toda a extensão do muro.   Ninguém mais quer cuidar de Jardins.  Ocorreu-me que o mundo tem mudado de tal maneira que as pessoas não estão conseguindo mais enxergar a beleza das flores. Preocupa-me essa postura. Essa falta de sensibilidade. Esse desencanto com algo tão puro e ingênuo... Cheio de significados! O fato de o homem não mais querer um Jardim a lhe enfeitar a frente de sua casa denota uma falta de compromisso com as coisas mais naturais.  Os Jardins têm dado lugar à outra paixão do mundo moderno. A Tecnologia.  Afinal, “-para que Jardim se tem tecnologia dentro de casa?”. Talvez eles pensem assim... Vale ter aparelhos de última geração. Belos e rápidos Notebooks. Internet Banda Larga. Som e imagens digitais. Televisores com tela de Cristal Líquido e imagens em alta definição; Celulares com conectividade para internet... Entretenimento e informação em tempo real. Então, por que “perder tempo” com Jardins? Mas os Jardins são capazes de dar alma, de dar vida às casas. São capazes de enfeitar mesmo num dia escuro e nebuloso de tempestade... Vive-se, assim, hoje em dia, enclausurado. Enjaulado. Como animais em um zoológico mesmo. Com medo de assaltos, sim, porém felizes com nossos “brinquedinhos” tecnológicos. Estamos vivendo uma época emblemática. Daqui a pouco não se tem mais Jardins. Não se pega mais na mão da namorada. Não se sai mais num domingo à tarde para tomar um bom sorvete. Não se leva mais criança em parque de diversões... Tudo é dentro de casa. Ligado às máquinas e equipamentos que nos dão a falsa sensação de liberdade dentro de nossos próprios “lares prisão.”. Não temos mais prazer com as coisas simples. Tudo tem que ser complexo. Tem que ter velocidade. Interatividade. Tudo se resume a espaços pequenos onde nos debruçamos para escrever; brincar; trabalhar; estudar e jogar enfim... Nosso espaço está ficando do tamanho de nossos equipamentos. E nossas vontades estão ficando dentro deles tanto quanto. Aí eu pergunto: - Então para que ter uma casa com vários metros quadrados? Para nada. Não nos serve ter mais casas grandes; quartos grandes; Jardins; Piscina... Para que? Para que ter espaço se você só precisa de um cantinho com uma máquina e um sinal de internet? Ainda prefiro os Jardins da minha mãe aos espaços ínfimos ladeados de ampla tecnologia. Mas temo pelo futuro dos mais jovens, pois ele não tem como referência os Jardins de suas mães, e sim, os altos muros, os portões fechados e o isolamento em um cantinho qualquer da casa...

            

2 comentários:

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  2. Parabéns pelo BLOG meu velho amigo!! O que vale na vida é realizar e curtir os bons sentimentos! Depois lerei a crônica Jardins com espírito crítico; claro, como você poderia esperar de mim. Pior é que você parece gostar!! rs
    Grande beijo
    Tio Emílio

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