
Adoro
Jardins. Desde que me conheço por gente, tem Jardim na frente da minha casa.
Minha mãe é quem cuida. E cuida muito bem, diga-se de passagem. Não sei de onde
veio o seu gosto pela jardinagem, mas imagino que tenha a ver com o cuidar das
hortas na época em que ela morava no Sítio. Aquela
sensação gostosa de mexer com a terra; de afofá-la; de misturar com esterco...
Enfim, coisas que aprendeu com o lidar da terra. Eu até me arrisco, mas confesso que
perto da mãe jardineira eu sou “piada de mau gosto”... Muito ruim mesmo. E
tenho notado que, infelizmente, hoje em dia, as pessoas não têm dado tanto
valor aos Jardins. É comum ver casas sendo projetadas sem jardim. Com aqueles
enormes portões de ferro e chapa de aço; muros altos; cercas elétricas que
percorrem toda a extensão do muro. Ninguém mais quer cuidar de Jardins. Ocorreu-me que o mundo tem mudado de
tal maneira que as pessoas não estão conseguindo mais enxergar a beleza das
flores. Preocupa-me essa postura. Essa falta de sensibilidade. Esse desencanto
com algo tão puro e ingênuo... Cheio de significados! O fato de o homem não mais querer um
Jardim a lhe enfeitar a frente de sua casa denota uma falta de compromisso com
as coisas mais naturais. Os
Jardins têm dado lugar à outra paixão do mundo moderno. A Tecnologia.
Afinal, “-para que Jardim se tem
tecnologia dentro de casa?”. Talvez eles pensem assim... Vale ter aparelhos de
última geração. Belos e rápidos Notebooks. Internet Banda Larga. Som e imagens
digitais. Televisores com tela de Cristal Líquido e imagens em alta definição;
Celulares com conectividade para internet... Entretenimento e informação em
tempo real. Então, por que “perder tempo” com Jardins? Mas os Jardins são
capazes de dar alma, de dar vida às casas. São capazes de enfeitar mesmo num
dia escuro e nebuloso de tempestade... Vive-se, assim, hoje em dia,
enclausurado. Enjaulado. Como animais em um zoológico mesmo. Com medo de
assaltos, sim, porém felizes com nossos “brinquedinhos” tecnológicos. Estamos vivendo uma época
emblemática. Daqui a pouco não se
tem mais Jardins. Não se pega mais na mão da namorada. Não se sai mais num
domingo à tarde para tomar um bom sorvete. Não se leva mais criança em parque
de diversões... Tudo é dentro de casa. Ligado às máquinas e equipamentos que
nos dão a falsa sensação de liberdade dentro de nossos próprios “lares
prisão.”. Não temos mais prazer com as coisas simples. Tudo tem que ser
complexo. Tem que ter velocidade. Interatividade. Tudo se resume a espaços
pequenos onde nos debruçamos para escrever; brincar; trabalhar; estudar e jogar
enfim... Nosso espaço está ficando do tamanho de nossos equipamentos. E nossas
vontades estão ficando dentro deles tanto quanto. Aí eu pergunto: - Então para
que ter uma casa com vários metros quadrados? Para nada. Não nos serve ter mais
casas grandes; quartos grandes; Jardins; Piscina... Para que? Para que ter
espaço se você só precisa de um cantinho com uma máquina e um sinal de
internet? Ainda prefiro os Jardins da minha mãe aos espaços ínfimos ladeados de
ampla tecnologia. Mas temo pelo futuro dos mais jovens, pois ele não tem
como referência os Jardins de suas mães, e sim, os altos muros, os portões
fechados e o isolamento em um cantinho qualquer da casa...
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ResponderExcluirParabéns pelo BLOG meu velho amigo!! O que vale na vida é realizar e curtir os bons sentimentos! Depois lerei a crônica Jardins com espírito crítico; claro, como você poderia esperar de mim. Pior é que você parece gostar!! rs
ResponderExcluirGrande beijo
Tio Emílio